
Convívios
ASSOCIAÇÃO DE
FUZILEIROS
O Destacamento de Fuzileiros Especiais Nº10
Moçambique – 1974/75
Comemorou o seu 38.º Aniversário, na zona de Tomar
Mais uma vez se reuniram em convívio os fuzileiros que integraram o DFE 10
– Moçambique 74/75 e digo, mais uma vez, porque esta “família”, teima em se
reunir todos os anos por volta do dia 12 de Maio, data da partida do
primeiro contingente.
Desta feita o evento ocorreu precisamente no dia 12 de Maio na zona de
Tomar e à hora marcada todos compareceram no ponto de encontro, junto à
Barragem de Castelo do Bode.
Era vê-los chegar acompanhados por esposas, filhos e até netos, com a
habitual alegria estampada nos rostos a que correspondia a exuberância dos
abraços e das fortes palmadas nas costas, manifestações de um espírito de
fraterna amizade que se foi criando ao longo destes quase 40 anos de uma
unidade que, afinal, ainda não desmobilizou.
Tendo cumprido serviço em Moçambique durante pouco mais de 13 meses,
durante o difícil e indefinido período de transição para a independência
daquela colónia, os homens continuam unidos pela memória da sua
participação em acontecimentos marcantes das últimas quatro décadas da
sociedade portuguesa.
Participaram no 25 de Abril de 74, sendo a primeira unidade da Marinha a
sair para a rua António Maria Cardoso, conhecido bastião da PIDE/DGS,
sendo-lhe ainda atribuídas então outras missões de relevo que não cabe
aqui enumerar.
Volvidos poucos dias da revolução, a 12 de Maio, parte para Moçambique o
primeiro contingente e a 19 do mesmo mês, parte o segundo, este comandado
pelo então sub-tenente Benjamim Correia.
Enfrentaram então o período conturbado da transição para independência
tendo ocupado posições na Alta Zambézia – Magoé Velho, Tete, Beira,
António Enes (agora Angoche) e Lourenço Marques. Em Lourenço Marques,
além do patrulhamento conjunto, asseguraram em regime de rotatividade a
segurança física ao alto-comissariado e ao alto-comissário até à meia
noite do dia anterior à independência tendo, nessa mesma noite,
embarcado de regresso a Lisboa a bordo do paquete Infante D. Henrique
fretado para o efeito.
Numa situação de grande indefinição política e militar, onde qualquer
acto menos ponderado poderia atear conflitos de efeitos perfeitamente
imprevisíveis, sob o comando do então primeiro-tenente Vargas de Matos,
os homens mantiveram-se unidos e disciplinados.....até hoje!
Por isso o convívio que agora se realizou, e que teve a colaboração
organizativa local do camarada Augusto Paulino, agora empresário na
região, foi mais uma oportunidade para recordar sem nostalgia mas com
sentido do dever cumprido, pessoas, acontecimentos e lugares que fizeram
parte da vida destes homens numa determinada fase e os marcaram para
sempre.
Não podíamos terminar estas linhas sem um agradecimento especial aos
responsáveis da barragem de Castelo do Bode que nos proporcionaram uma
pormenorizada visita às entranhas do talude da barragem que foi
acompanhada com enorme interesse pelos participantes. É de facto uma
grande obra que data de 1950, ano da sua inauguração.
Claro que o almoço foi o momento alto decorrendo com a algazarra
habitual e terminado com o bolo comemorativo e champanhe a condizer.
Para o ano há mais! A zona de Benavente espera-nos!


“Fuzileiro uma vez fuzileiro para sempre”
Benjamim Correia
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